quinta-feira, 16 de junho de 2016

CONTO

AS FORMIGAS
Lygia Fagundes Telles

Quando minha prima e eu descemos do táxi, já era quase noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de janelas ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles vazado por uma pedrada. Descansei a mala no chão e apertei o braço da prima.

– É sinistro.

Ela me impeliu na direção da porta. Tínhamos outra escolha? Nenhuma pensão nas redondezas oferecia um preço melhor a duas pobres estudantes com liberdade de usar o fogareiro no quarto, a dona nos avisara por telefone que podíamos fazer refeições ligeiras com a condição de não provocar incêndio. Subimos a escada velhíssima, cheirando a creolina.

– Pelo menos não vi sinal de barata – disse minha prima.

A dona era uma velha balofa, de peruca mais negra do que a asa da graúna. Vestia um desbotado pijama de seda japonesa e tinha as unhas aduncas recobertas por uma crosta de esmalte vermelho-escuro, descascado nas pontas encardidas. Acendeu um charutinho.

– É você que estuda medicina? – perguntou soprando a fumaça na minha direção.

– Estudo direito. Medicina é ela.

A mulher nos examinou com indiferença. Devia estar pensando em outra coisa quando soltou uma baforada tão densa que precisei desviar a cara. A saleta era escura, atulhada de móveis velhos, desparelhados. No sofá de palhinha furada no assento, duas almofadas que pareciam ter sido feitas com os restos de um antigo vestido, os bordados salpicados de vidrilho.

Vou mostrar o quarto, fica no sótão – disse ela em meio a um acesso de tosse. Fez um sinal para que a seguíssemos. – O inquilino antes de vocês também estudava medicina, tinha um caixotinho de ossos que esqueceu aqui, estava sempre mexendo neles.

Minha prima voltou-se:

– Um caixote de ossos?

A mulher não respondeu, concentrada no esforço de subir a estreita escada de caracol que ia dar no quarto. Acendeu a luz. O quarto não podia ser menor, com o teto em declive tão acentuado que nesse trecho teríamos que entrar de gatinhas. Duas camas, dois armários e uma cadeira de palhinha pintada de dourado. No ângulo onde o teto quase se encontrava com o assoalho, estava um caixotinho coberto com um pedaço de plástico. Minha prima largou a mala e, pondo-se de joelhos, puxou o caixotinho pela alça de corda. Levantou o plástico. Parecia fascinada.

– Mas que ossos tão miudinhos! São de criança?

– Ele disse que eram de adulto. De um anão.

– De um anão? é mesmo, a gente vê que já estão formados… Mas que maravilha, é raro a beça esqueleto de anão. E tão limpo, olha aí – admirou-se ela. Trouxe na ponta dos dedos um pequeno crânio de uma brancura de cal. – Tão perfeito, todos os dentinhos!

– Eu ia jogar tudo no lixo, mas se você se interessa pode ficar com ele. O banheiro é aqui ao lado, só vocês é que vão usar, tenho o meu lá embaixo. Banho quente extra. Telefone também. Café das sete às nove, deixo a mesa posta na cozinha com a garrafa térmica, fechem bem a garrafa recomendou coçando a cabeça. A peruca se deslocou ligeiramente. Soltou uma baforada final: – Não deixem a porta aberta senão meu gato foge.

Ficamos nos olhando e rindo enquanto ouvíamos o barulho dos seus chinelos de salto na escada. E a tosse encatarrada.

Esvaziei a mala, dependurei a blusa amarrotada num cabide que enfiei num vão da veneziana, prendi na parede, com durex, uma gravura de Grassman e sentei meu urso de pelúcia em cima do travesseiro. Fiquei vendo minha prima subir na cadeira, desatarraxar a lâmpada fraquíssima que pendia de um fio solitário no meio do teto e no lugar atarraxar uma lâmpada de duzentas velas que tirou da sacola. O quarto ficou mais alegre. Em compensação, agora a gente podia ver que a roupa de cama não era tão alva assim, alva era a pequena tíbia que ela tirou de dentro do caixotinho. Examinou- a. Tirou uma vértebra e olhou pelo buraco tão reduzido como o aro de um anel. Guardou-as com a delicadeza com que se amontoam ovos numa caixa.

– Um anão. Raríssimo, entende? E acho que não falta nenhum ossinho, vou trazer as ligaduras, quero ver se no fim da semana começo a montar ele.

Abrimos uma lata de sardinha que comemos com pão, minha prima tinha sempre alguma lata escondida, costumava estudar até de madrugada e depois fazia sua ceia. Quando acabou o pão, abriu um pacote de bolacha Maria.

– De onde vem esse cheiro? – perguntei farejando. Fui até o caixotinho, voltei, cheirei o assoalho. – Você não está sentindo um cheiro meio ardido?

– É de bolor. A casa inteira cheira assim – ela disse. E puxou o caixotinho para debaixo da cama.

No sonho, um anão louro de colete xadrez e cabelo repartido no meio entrou no quarto fumando charuto. Sentou-se na cama da minha prima, cruzou as perninhas e ali ficou muito sério, vendo-a dormir. Eu quis gritar, tem um anão no quarto! mas acordei antes. A luz estava acesa. Ajoelhada no chão, ainda vestida, minha prima olhava fixamente algum ponto do assoalho.

– Que é que você está fazendo aí? – perguntei.

– Essas formigas. Apareceram de repente, já enturmadas. Tão decididas, está vendo?

Levantei e dei com as formigas pequenas e ruivas que entravam em trilha espessa pela fresta debaixo da porta, atravessavam o quarto, subiam pela parede do caixotinho de ossos e desembocavam lá dentro, disciplinadas como um exército em marcha exemplar.

– São milhares, nunca vi tanta formiga assim. E não tem trilha de volta, só de ida – estranhei.

– Só de ida.

Contei-lhe meu pesadelo com o anão sentado em sua cama.

– Está debaixo dela – disse minha prima e puxou para fora o caixotinho. Levantou o plástico. – Preto de formiga. Me dá o vidro de álcool.

– Deve ter sobrado alguma coisa aí nesses ossos e elas descobriram, formiga descobre tudo. Se eu fosse você, levava isso lá pra fora.

– Mas os ossos estão completamente limpos, eu já disse. Não ficou nem um fiapo de cartilagem, limpíssimos. Queria saber o que essas bandidas vem fuçar aqui.

Respingou fartamente o álcool em todo o caixote. Em seguida, calçou os sapatos e como uma equilibrista andando no fio de arame, foi pisando firme, um pé diante do outro na trilha de formigas. Foi e voltou duas vezes. Apagou o cigarro. Puxou a cadeira. E ficou olhando dentro do caixotinho.

– Esquisito. Muito esquisito.

– O quê?

– Me lembro que botei o crânio em cima da pilha, me lembro que até calcei ele com as omoplatas para não rolar. E agora ele está aí no chão do caixote, com uma omoplata de cada lado. Por acaso você mexeu aqui?

– Deus me livre, tenho nojo de osso. Ainda mais de anão.

Ela cobriu o caixotinho com o plástico, empurrou-o com o pé e levou o fogareiro para a mesa, era a hora do seu chá. No chão, a trilha de formigas mortas era agora uma fita escura que encolheu. Uma formiguinha que escapou da matança passou perto do meu pé, já ia esmagá-la quando vi que levava as mãos a cabeça, como uma pessoa desesperada. Deixei-a sumir numa fresta do assoalho.

Voltei a sonhar aflitivamente mas dessa vez foi o antigo pesadelo em torno dos exames, o professor fazendo uma pergunta atrás da outra e eu muda diante do único ponto que não tinha estudado. Às seis horas o despertador disparou veementemente. Travei a campainha. Minha prima dormia com a cabeça coberta. No banheiro, olhei com atenção para as paredes, para o chão de cimento, a procura delas
. Não vi nenhuma. Voltei pisando na ponta dos pés e então entreabri as folhas da veneziana. O cheiro suspeito da noite tinha desaparecido. Olhei para o chão: desaparecera também a trilha do exército massacrado. Espiei debaixo da cama e não vi o menor movimento de formigas no caixotinho coberto.

Quando cheguei por volta das sete da noite, minha prima já estava no quarto. Achei-a tão abatida que carreguei no sal da omelete, tinha a pressão baixa. Comemos num silêncio voraz. Então me lembrei:

– E as formigas?

– Até agora, nenhuma.

– Você varreu as mortas?

Ela ficou me olhando.

– Não varri nada, estava exausta. Não foi você que varreu?

– Eu?! Quando acordei, não tinha nem sinal de formiga nesse chão, estava certa que antes de deitar você juntou tudo… Mas então quem?!

Ela apertou os olhos estrábicos, ficava estrábica quando se preocupava.

– Muito esquisito mesmo. Esquisitíssimo.

Fui buscar o tablete de chocolate e perto da porta senti de novo o cheiro, mas seria bolor? Não me parecia um cheiro assim inocente, quis chamar a atenção da minha prima para esse aspecto mas estava tão deprimida que achei melhor ficar quieta. Espargi água-de-colônia flor de maçã por todo o quarto (e se ele cheirasse como um pomar?) e fui deitar cedo. Tive o segundo tipo de sonho que competia nas repetições com o sonho da prova oral: nele, eu marcava encontro com dois namorados ao mesmo tempo. E no mesmo lugar. Chegava o primeiro e minha aflição era levá-lo embora dali antes que chegasse o segundo. O segundo, desta vez, era o anão. Quando só restou o oco de silêncio e sombra, a voz da minha prima me fisgou e me trouxe para a superfície. Abri os olhos com esforço. Ela estava sentada na beira da minha cama, de pijama e completamente estrábica.

– Elas voltaram.

– Quem?

– As formigas. Só atacam de noite, antes da madrugada. Estão todas aí de novo.

A trilha da véspera, intensa, fechada, seguia o antigo percurso da porta até o caixotinho de ossos por onde subia na mesma formação até desformigar lá dentro. Sem caminho de volta.

– E os ossos?

Ela se enrolou no cobertor, estava tremendo.

Aí é que está o mistério. Aconteceu uma coisa, não entendo mais nada! Acordei pra fazer pipi, devia ser umas três horas. Na volta senti que no quarto tinha algo mais, está me entendendo? Olhei pro chão e vi a fila dura de formiga, você lembra? não tinha nenhuma quando chegamos. Fui ver o caixotinho, todas trançando lá dentro, lógico, mas não foi isso o que quase me fez cair pra trás, tem uma coisa mais grave: é que os ossos estão mesmo mudando de posição, eu já desconfiava mas agora estou certa, pouco a pouco eles estão… estão se organizando.

– Como, organizando?

Ela ficou pensativa. Comecei a tremer de frio, peguei uma ponta do seu cobertor. Cobri meu urso com o lençol.

– Você lembra, o crânio entre as omoplatas, não deixei ele assim. Agora é a coluna vertebral que já está quase formada, uma vértebra atrás da outra, cada ossinho tomando seu lugar, alguém do ramo está montando o esqueleto, mais um pouco e… Venha ver!

– Credo, não quero ver nada. Estão colando o anão, é isso?

Ficamos olhando a trilha rapidíssima, tão apertada que nela não caberia sequer um grão de poeira. Pulei-a com o maior cuidado quando fui esquentar o chá. Uma formiguinha desgarrada (a mesma daquela noite?) sacudia a cabeça entre as mãos. Comecei a rir e tanto que se o chão não estivesse ocupado, rolaria por ali de tanto rir. Dormimos juntas na minha cama. Ela dormia ainda quando saí para a primeira aula. No chão, nem sombra de formiga, mortas e vivas, desapareciam com a luz do dia.

Voltei tarde essa noite, um colega tinha se casado e teve festa. Vim animada, com vontade de cantar, passei da conta. Só na escada é que me lembrei: o anão. Minha prima arrastara a mesa para a porta e estudava com o bule fumegando no fogareiro.

– Hoje não vou dormir, quero ficar de vigia – ela avisou.

O assoalho ainda estava limpo. Me abracei ao urso.

– Estou com medo.

Ela foi buscar uma pílula para atenuar minha ressaca, me fez engolir a pílula com um gole de chá e ajudou a me despir.

– Fico vigiando, pode dormir sossegada. Por enquanto não apareceu nenhuma, não está na hora delas, é daqui a pouco que começa. Examinei com a lupa debaixo da porta, sabe que não consigo descobrir de onde brotam?

Tombei na cama, acho que nem respondi. No topo da escada o anão me agarrou pelos pulsos e rodopiou comigo até o quarto, acorda, acorda! Demorei para reconhecer minha prima que me segurava pelos cotovelos. Estava lívida. E vesga.

– Voltaram – ela disse.

Apertei entre as mãos a cabeça dolorida.

– Estão aí?

Ela falava num tom miúdo como se uma formiguinha falasse com sua voz.

– Acabei dormindo em cima da mesa, estava exausta. Quando acordei, a trilha já estava em plena. Então fui ver o caixotinho, aconteceu o que eu esperava…

– Que foi? Fala depressa, o que foi?

Ela firmou o olhar oblíquo no caixotinho debaixo da cama.

– Estão mesmo montando ele. E rapidamente, entende? O esqueleto está inteiro, só falta o fêmur. E os ossinhos da mão esquerda, fazem isso num instante. Vamos embora daqui.

– Você está falando sério?

– Vamos embora, já arrumei as malas.

A mesa estava limpa e vazios os armários escancarados.

– Mas sair assim, de madrugada? Podemos sair assim?

– Imediatamente, melhor não esperar que a bruxa acorde. Vamos, levanta.

– E para onde a gente vai?

– Não interessa, depois a gente vê. Vamos, vista isto, temos que sair antes que o anão fique pronto.

Olhei de longe a trilha: nunca elas me pareceram tão rápidas. Calcei os sapatos, descolei a gravura da parede, enfiei o urso no bolso da japona e fomos arrastando as malas pelas escadas, mais intenso o cheiro que vinha do quarto, deixamos a porta aberta. Foi o gato que miou comprido ou foi um grito?

No céu, as últimas estrelas já empalideciam. Quando encarei a casa, só a janela vazada nos via, o outro olho era penumbra.

segunda-feira, 30 de maio de 2016


REDAÇÃO

ENEM 2015


Disponível em http://vestibular.mundoeducacao.bol.uol.com.br/enem/comentario-redacao---enem-2015.htm. Acesso em 30/05/2016.
FIGURAS DE LINGUAGEM


Figuras de linguagem são recursos de expressão, utilizados por um escritor, com o objetivo de ampliar o significado de um texto literário ou também para suprir a falta de termos adequados em uma frase. É um recurso que dá uma grande expressividade ao texto literário.


COMPARAÇÃO: Quando tem expresso o termo comparativo. a símile normalmente envolve comparações com elementos de universos diferentes.

Ex. "Como um anjo, você apareceu na minha vida."

METÁFORA: comparação mental ou abreviada, prevalendo a relação da semelhança. 

Ex. "Você é luz, é raio, estrela e luar."

HIPÉRBOLE: afirmação exagerada.

Ex. "Estou morrendo, morrendo por dentro."

PROSOPOPEIA OU PERSONIFICAÇÃO: Atribuição de característica humanas a seres inanimados.

Ex. "O vento beija meus cabelos"

SINESTESIA: mistura de sensações diferentes. 

Ex. Sorriso doce, ruído áspero

METONÍMIA: relação de extensão igual entre dois elementos.



  • efeito pela causa: Ganho o pão com o meu suor.
  • autor pela obra: Li Machado de Assis.
  • continente pelo conteúdo: Comeu um prato de sopa.
  • marca pelo produto: Comprei um danone.

ANTÍTESE: duas palavras de sentidos opostos próximas uma da outra.

Ex. "Escravo do seu amor, livre para amar"

EUFEMISMO: suavização de ideias.

Ex. Minha avó virou estrelinha.

IRONIA: dizer o contrário do que se pensa.

Ex. Estes alunos são tão bem comportados. Só faltam se pendurar nas cortinas.

ONOMATOPEIA: imitação de sons, ruídos e vozes de animais.

Ex. "Au, au, au,
Ió, ió, ió,
miau, miau, miau,
cocorocó"

PLEONASMO: repetição desnecessária.

Ex. Subiu para cima.

CATACRESE: emprego de palavra na falta de outra mais específica.

Ex. Perna da mesa.


EXERCÍCIOS


Identifique as figuras de linguagem presentes nas frases abaixo.


a) "Eu nasci há dez mil anos atrás".


b) Morreram de rir daquela cena.


c) "Você é a escada da minha subida"


d) "Avião sem asa, fogueira sem brasa, sou eu assim sem você".


e) "Nem mil alto-falantes vão poder falar por mim."


f) "Eu não existo longe de você."


g) "Mas o relógio está de mal comigo".


h) "As ondas lambem minhas pernas"


i) "O sol abraça o meu corpo"


j) "Meu coração canta feliz"


k) "Se de dia a gente briga, à noite a gente se ama"


l) "Respondi tenho ódio e morro de amor por ela."


m) "Piririm, piririm, piririm, alguém ligou para mim".


n) "E o calor tá de matar".


o) Comprei um band-aid.


p) Preciso de um cotonete.


q) Fecha a janela.


r) Eles pulavam como macacos.


s) Ele levou emprestado por engano.


t) "Eu saio pra fora e ela chama para trás."


u) O vento chamava seu nome.


v) "Eu quero tchu, eu quero tchá!"


w) Não tenho mais maizena em casa.


x) Disse-me uma palavra branca e fria."


y) Faltava-lhe inteligência para compreender isso.


z) Muito competente aquele candidato, esquecendo-se de cumprir com suas promessas eleitorais.



2) Qual é a figura de linguagem presente no poema abaixo? Grife as passagens em que ela aparece.

INUTILIDADES
Ninguém coça as costas da cadeira.
Ninguém chupa a manga da camisa
O piano jamais abana a cauda.
Tem asa, porém não voa, a xícara.

De que serve o pé da mesa, senão anda?
E a boca da calça, senão fala nunca.
Nem sempre o botão está na sua casa.
O dente de alho não morde coisa nenhuma.

Ah! Se trotassem os cavalos do motor...
Ah! Se fosse do circo o macaco do carro...
Então a menina dos olhos comeria
Até bolo esportivo e bala de revólver. (José Paulo Paes)

domingo, 29 de maio de 2016

RESENHA CRÍTICA

ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO
Quando a Walt Disney Píctures lançou ‘Alice no País das Maravilhas‘ em 2010, uma nova fase da empresa surgiu. Antes da adaptação de Tim Burton, o estúdio estava passando por uma espécie de crise existencial.
Com poucas exceções, como ‘Encantada‘ (2007) e a franquia ‘Piratas do Caribe‘, os longas cinematográficos se resumiam a produtos originados da TV, como ‘Hannah Montana‘ e ‘High School Musical‘, animações questionáveis como ‘Selvagem‘ e filmes de gosto duvidoso envolvendo cachorros e outros animais domésticos.
Não que tudo que foi produzido após o live-action de ‘Alice‘ seja maravilhoso, mas, o sucesso estrondoso do longa parece ter aberto os olhos do estúdio para voltar a apostar naquilo que sempre gerou dinheiro e enchia seus cofres: Contos de Fada
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Apesar das inúmeras críticas ao trabalho de Tim Burton no filme, principalmente dos fãs mais fervorosos da menina que vai parar no País das Maravilhas, é inquestionável o fato de que esse foi o longa que mostrou que ainda é possível fazer dinheiro com histórias clássicas.
Agora, seis anos depois e com mais sucessos como ‘Malévola‘, ‘Cinderela‘ e o recente ‘Mogli – O Menino Lobo‘, o estúdio retorna à clássica personagem que fez com que todos os outros pudessem ganhar uma nova cara no cinema.
Alice: Através do Espelho‘, assim como seu antecessor, tem pouquíssimas referências do livro. Nessa nova história, a protagonista deverá correr contra o tempo (literalmente contra O Tempo) para descobrir o que aconteceu com a família do Chapeleiro Maluco. Enquanto isso, no mundo “real”, Alice enfrenta problemas familiares e uma sociedade opressora que acredita que o fato dela ser uma mulher a torna incapaz de comandar os negócios de seu pai.
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Se no primeiro longa tivemos Tim Burton assumindo a direção e dividindo opiniões sobre seu trabalho com o clássico de Lewis Carroll, dessa vez temos James Bobin (‘Os Muppets’) – que tem um estilo completamente diferente. Se o País das Maravilhas ganhou cor e esquisitices comBurton, com Bobin ele também ganhou ritmo e dinamismo e esse é um dos maiores trunfos do filme.
Com uma abordagem bem mais pop do que a de Burton, Bobin mostra que sabe fazer um bom longa de aventura fantástica. E o roteiro de Linda Woolverton, que também teve seu trabalho em ‘Malévola‘ e ‘Alice no País das Maravilhas‘ dividindo opiniões, se mostra um pouco mais certeira nessa nova obra.
A dupla diretor-roteirista conseguem apresentar um filme que, ao mesmo tempo que traz questionamentos interessantes sobre o tempo e em uma dose pequena, o papel da mulher na sociedade, também diverte, entretêm e se mostra muito mais dinâmico que seu antecessor.
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O universo colorido e maluco criado por Tim Burton ainda está lá, ainda é possível encher os olhos com as belas imagens que o longa proporciona e todos os personagens apresentados ao público também se mantém fieis, até porque Burton continua na produção do filme, o que acontece é uma mudança de tom.
James Bobin parece combinar muito mais com o universo de Lewis Carroll do que o diretor anterior.
Outro ponto positivo nessa sequência é a atuação de Mia Wasikowska, que parece ter aprendido muito desde 2010 e entrega uma Alice com mais personalidade e muito mais carisma do que vimos anteriormente. Helena Bonham Carter aparece fantástica no papel da Rainha Vermelha e é uma das melhores coisas do longa. Johnny Depp apresenta um Chapeleiro Maluco mais humanizado e com uma carga dramática que, a princípio, pode causar estranhamento, mas que se faz necessário dentro da proposta do roteiro. Sacha Baron Cohen também está muito bem no seu papel como Tempo e, em contrapartida Anne Hathaway parece não saber direito o que fazer com sua personagem e acaba entregando uma Rainha Branca morna e sem muita vida.
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Apesar do roteiro não ser lá grandes coisas, ‘Alice Através do Espelho‘ é redondo, divertido e funciona como um filme de aventura fantástica. Diferente daquele dirigido por Tim Burton, esse é muito mais agradável de ser assistido.
SINTAXE

CRASE

1. Agradeço ( _ ) Vossa Senhoria ( _ ) oportunidade para manifestar minha opinião ( _ ) respeito.

a) a – a – a;
b) à – à – a;
c) à – a – a;
d) a – à – a;
e) à – a – à.

2. Assinale a frase com erro de regência:

a) o deputado presidiu a reunião até o fim;
b) proibimos os alunos de usar os cadernos para fazer a prova;
c) certificamos nossa família de vossa decisão;
d) paguei os operários no sábado;
e) atendemos ao seu desejo.

3.“Peço __ senhora que estude, uma __ uma, as questões submetidas __ aprovação”:

a) à - a - à;
b) a - a - à;
c) a - à - à;
d) à - à - à;
e) à - à - a

4. Há uma opção em que não se atendeu ao emprego da crase. Indique-a:

a) a cem milhas horárias você encontrará um posto à direita, a meia hora daqui;
b) às brutas entrou porta a dentro;
c) responda à sua senhoria com a consideração a que está acostumado;
d) saiu-se à mãe, esta se parece à avó;
e) dispostas a ouvi-la, postaram-se à porta de sua casa.

5. “Dê ciência ___ todos de que não mais se atenderá___ pedidos que não forem dirigidos ___ diretoria”:

a) a - a - a;
b) a - à - a;
c) a - a - à;
d) à - à - a;
e) à - a - a.

6. Marque a frase em que o “a” deva ser craseado:

a) ele atacou o adversário a tiro;
b) Maria não foi a aula hoje;
c) João fez uma viagem a Mato Grosso;
d) Conversei com a diretoria do colégio sobre esse assunto;
e) o adversário atacou a cacetadas.

7. “ ___ hora prevista, todos se dirigiram ___ sala principal para assistir ___ cerimônia”.

a) a - a - a;
b) a - à - a;
c) à - à - à;
d) há - à - à;
e) há – a – a .

8. Assinale a frase em que o “a” sublinhado deve receber o acento de crase:

a) obedeça as regras de trânsito;
b) encontraram-se face a face;
c) dirijo-me agora a vossa excelência;
d) é uma campanha digna, a cuja disposição me ponho;
e) peço a você que não deponha o candidato.

9.“Para ganhar mais dinheiro, Manoel passou ___entregar compras ___ domicilio ___ segundas-feiras”.

a) a - a - as;
b) a - em - às;
c) a - à - às;
d) à - a - as;
e) à - à - às.

10.Que expressões completariam as lacunas?

“Não me refiro _____ estava sentada, mas sim______ pessoa ______ tu também te referias”.

a) a que - à - que;
b) aquela que - à - que;
c) àquela que - à - à que;
d) à que - a - à que;
e) à que - à - a que.

11. “Foi obrigado ____ embarcar no trem que saia ____onze horas, mas mostrou ____ todos seu descontentamento”.

a) a - as - à;
b) às - as - a;
c) a - às - a;
d) à - às - a;
e) a - às - à.

12. “A disciplina naquela escola podia ser comparada___ dos militares, mas nem por isso permitia tranqüilidade____ professoras”.

a) a - a;
b) à - às;
c) a - as;
d) a - às;
e) a - as.

13. Aponte a frase em que o “a” ou “as” não deve levar sinal indicativo de crase:

a) dirijo-me apressado àquela farmácia;
b) refiro-me àquele rapaz que foi teu colega;
c) àquela hora todos já se tinham recolhido;
d) quero agradecer àquele rapaz as atenções que me dispensou;
e) fui para aquela praça, mas não à encontrei !

14. Na frase: “Tende a satisfazer as exigências do mercado”, substituindo-se “satisfazer” por “satisfação”, tem-se a forma correta:

a) tende à satisfação as exigências do mercado;
b) tende a satisfação as exigências do mercado;
c) tende a satisfação das exigências do mercado;
d) tende a satisfação às exigências do mercado;
e) tende à satisfação das exigências do mercado.

15. “ ______ tarde, diriji-me ______ casa, embora______ hora todos já estivessem ____ dormir”:

a) À - à - àquela - a;
b) A - a - aquela - à;
c) À - a - àquela - a;
d) À - a - aquela - à;
e) À - a - àquela - a.

16. Marque o caso em que não houve erro, quanto a omissão ou presença de crase:

a) veio à toda, quando se pôs a frear, já era tarde;
b) a proposta, à cuja aceitação estamos presos, nem foi estudada;
c) uma à uma, gota à gota, ingeriu todo o conteúdo;
d) perspicácia a toda prova, resposta às pressas, era exigido;
e) a assistência às aulas é de lei.

17. “ainda ____ pouco, eu ____ vi atravessando aquela rua, ali ___ direita”:

a) há – a – à;
b) há – a – a;
c) a – a – a;
d) a – à – à;
e) à – a – a .

18. Assinale a frase em que há o uso errado da crase:

a) quando o navio chegou, ele desceu logo à terra;
b) vou à cidade hoje;
c) vou à reunião contigo;
d) pagou tudo à vendedora;
e) chegou tarde à missa.

19. “Descendo ___ rua ___ noite, o marinheiro viu um homem que vinha ___ pé.

a) à – à – à;
b) a – à – à;
c) a - à - a;
d) à – a – a;
e) a – a – a.